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Como ter ossos mais fortes?

A remodelação óssea é um processo contínuo, homeostático e restaurador que substitui o osso velho e danificado por material novo e saudável, para manter e melhorar a integridade estrutural e a competência mecânica, por isso, acontece durante todo a vida. Se engana quem acha que se preocupar com a saúde dos ossos apenas na fase de crescimento ou na velhice é importante.

O osso se modifica e se regenera continuamente na presença ou ausência de carga mecânica, o que posteriormente leva ao acúmulo (formação), manutenção (homeostase) ou degradação (reabsorção) da massa óssea. Isso ocorre através de um processo minucioso que envolve a regulação celular e coordenação de osteoblastos (depósito de matriz óssea) e osteoclastos (reabsorção da matriz óssea) a fim de remover o material ósseo danificado ou estranho e substituí-lo por um novo material mais forte. Como a remodelagem óssea é um processo contínuo, mesmo uma leve perturbação ou desequilíbrio em qualquer uma dessas células reguladoras pode levar à osteopenia ou osteoporose. Os comportamentos habituais expõem os ossos a vários padrões de carga, muitas vezes imprevisíveis, ao caminhar ou correr, até forças repentinas como mudar de direção, erguer peso, pular… Isso expõe os ossos a estímulos que podem levar a adaptações específicas do local, ou na ausência de condicionamento adequado, recuperação e de nutrientes, uma maior probabilidade de lesão. Por isso, para manter a saúde dos ossos, evitando lesões, osteopenia, osteoporose, fraturas e mantê-los fortes é preciso consumir nutrientes envolvidos na sua manutenção.

Osteopenia, Osteoporose e fraturas

O equilíbrio entre formação e reabsorção óssea e sua regulação são fatores críticos para a manutenção da homeostase mineral adequada e da densidade óssea.

A Osteopenia é o estado de densidade óssea abaixo da média, o que causa fragilidade óssea.

Já a Osteoporose é causada por um desequilíbrio dos processos de remodelação, resultando em mais reabsorção do que deposição óssea. A definição feita pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 1994 é de uma “doença esquelética sistêmica progressiva caracterizada pela baixa massa óssea e deterioração microarquiamental do tecido ósseo, com consequente aumento da fragilidade óssea e suscetibilidade à fratura”. Existem várias condições clínicas que podem levar a um desequilíbrio nesse processo de remodelação: velhice e período pós-menopausa são as principais causas, mas outros fatores de risco, incluindo medicamentos (glicocorticoides), distúrbios endócrinos, imobilização, Artropatia inflamatória, distúrbios hematopoiéticos e distúrbios nutricionais, com a deficiência de nutrientes, também podem estar envolvidos. A maior complicação da Osteopenia e da Osteoporose é o aumento das fraturas e da fragilidade levando à dor intensa, morbidade, mortalidade e diminuição da qualidade de vida (depressão, incapacidade física, perda de independência e morte prematura). A fratura do quadril é a razão mais comum para cirurgia em idosos e também é a causa mais comum de morte após uma queda. A perda de independência é comum após uma fratura no quadril, com apenas 52% vivendo em sua própria casa após 120 dias e 26% morrerão dentro de 12 meses após a fratura. Aproximadamente 1 em cada 2 mulheres adultas e 1 em cada 5 homens sofrerão uma ou mais fraturas de fragilidade  – por trauma a partir de uma queda de altura em pé ou menos – durante a vida.

O que fazer para ter ossos mais fortes?

Medidas no estilo de vida, como dieta saudável e equilibrada e atividade física, iniciadas na infância e realizadas ao longo da vida, são fatores que são bem conhecidos como associados ao melhor crescimento e envelhecimento do osso.

Pessoas em risco ou que querem ter ossos mais fortes, devem:

– Praticar atividade física regular, adaptada de acordo com as necessidades e sua capacidade.

– Cessar o tabagismo.

– Restringir a ingestão de álcool.

– Uma dieta saudável e rica em nutrientes.

– Ingestão adequada de Cálcio pela alimentação ou suplementação.

– Ingestão adequada de Vitamina D pela alimentação ou suplementação.

Uma ingestão nutricional equilibrada de nutrientes específicos (a partir de uma dieta específica e/ou através da suplementação nutricional), pode ser considerada como o primeiro passo para uma estratégia preventiva eficaz para ter ossos mais fortes.

Suplementos para ossos mais fortes

O esqueleto requer nutrientes para o desenvolvimento, mantendo a massa óssea e a densidade. Se os requisitos nutricionais esqueléticos não forem atendidos, as consequências podem ser bastante graves. 

Com isso, sabe-se que uma série de fatores alimentares que estão associados à diminuição da densidade mineral óssea.

Cálcio e Vitamina D

Uma baixa ingestão de cálcio pode levar ao aumento da reabsorção da matriz óssea com desmineralização e consequente aumento do risco de fratura. No entanto, muitas mulheres brasileiras não têm uma ingestão adequada de Cálcio. Dados do estudo BRAZOS indicaram que a ingestão média diária de Cálcio entre as mulheres brasileiras, foi de aproximadamente 400 mg por dia, o que pode contribuir para o aumento da frequência de doenças decorrentes da desmineralização óssea.

A Vitamina D desempenha um papel essencial no metabolismo do Cálcio e fosfato. Através da estimulação da absorção intestinal desses elementos, a Vitamina D contribui para a manutenção de níveis adequados de Cálcio sérico e, consequentemente, para a mineralização óssea. Além dos baixos níveis de Cálcio, as mulheres brasileiras obtêm uma quantidade mínima de vitamina D de sua dieta. Alimentos que são fontes ricas de Vitamina D não são acessíveis à maioria das mulheres no Brasil e, atualmente, não existem políticas de fortificação alimentar de Vitamina D. A suplementação é justificada em pacientes com pouca exposição à radiação solar. Com relação aos suplementos combinados de Cálcio e Vitamina D, as meta-análises relataram uma redução nas fraturas de quadril e  possivelmente também em fraturas vertebrais.

Magnésio

Outro nutriente muito importante para manter os ossos fortes é o Magnésio. De todo o Magnésio presente no corpo humano, 60% é encontrado nos ossos.

Em particular, considerando a saúde óssea, o Magnésio tem um papel fundamental. A deficiência de Magnésio pode afetar diretamente o osso (reduzindo a rigidez óssea, aumentando os osteoclastos e diminuindo os osteoblastos) e indiretamente (interferindo com Paratormônio (PTH) – que tem como principal função regular os níveis de Cálcio no organismo, já que estimula a liberação do Cálcio para o plasma – e Vitamina D, promovendo inflamação/estresse oxidativo e perda óssea subsequente).

O Magnésio é um cofator essencial para síntese e ativação de Vitamina D e, por sua vez, pode aumentar a absorção intestinal de Magnésio e estabelecer uma relação para manter os ossos mais fortes.

A partir dos diversos estudos realizados sobre os níveis de Magnésio no organismo e a sua relação com o osso, tem-se demonstrado que valores mais baixos estão relacionados à presença de osteoporose, e que cerca de 30 a 40% dos indivíduos analisados (principalmente mulheres na menopausa) têm hipomagnesemia. Várias investigações dietéticas têm demonstrado que cerca de 20% das pessoas consomem quantidades menores de Magnésio do que o recomendado; além disso, nesta categoria, foram encontradas uma menor densidade mineral óssea e maior risco de fratura. Considerando os estudos de intervenção publicados até o momento sobre a suplementação com Magnésio, em todos houve um benefício tanto em termos de densidade mineral óssea quanto de risco de fratura.

Vitamina K2

Apesar de não se falar tanto, outro nutriente importante para a manutenção óssea é a Vitamina K2. Nos últimos anos, tem havido crescente interesse na promoção da saúde óssea e na inibição da calcificação vascular por Vitamina K2. Esta vitamina regula a remodelagem óssea, um processo importante e necessário para manter os ossos fortes. A remodelagem óssea envolve a remoção de ossos antigos ou danificados por osteoclastos e sua substituição por novos ossos formados por osteoblastos. O processo de remodelação é fortemente regulado; mantendo o equilíbrio entre reabsorção e formação óssea

A Vitamina K2 está associada a uma série de atividades metabólicas que realizam a manutenção óssea. Estudos in vitro sugerem que a Vitamina K2 regula as células ósseas direta ou indiretamente. No geral, tem um efeito anabólico no osso.

Suplementos de Vitamina K2 têm mostrado ter efeitos importantes na saúde óssea e ela parece prevenir a osteoporose e suas consequências.

A fragilidade esquelética está diretamente relacionada à mortalidade e ao risco de lesão, com menor força óssea aumentando a vulnerabilidade à fratura. Por isso, é importante adotar medidas preventivas para manter os ossos fortes em todas as fases da vida.

O Bio Cálcio + Bio Magnésio reúne todos esses nutrientes essenciais para manter os ossos fortes em uma única formulação e ainda nas melhores formas químicas. Ele contém: Cálcio quelato, Magnésio quelato, Vitamina D3 que é a sua forma ativa e Vitamina K2 (MK-7).

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